domingo, 4 de junho de 2017

Fala, Rafa! - Amor pelo céu



Eles falavam sobre eternidade na noite em que se conheceram. Ela vestia um casaco de veludo vermelho porque estava frio, e ele uma boina preta. Ela era apenas uma garota na cafeteria, até o minuto que percebeu ter esquecido a carteira em casa, ficando sem jeito em ter uma ideia de como pagar a dívida da bebida.
- Cobra o café dela na minha conta. Escutou a moça.
- Obrigada. Respondeu.
E tudo poderia ter acabado ali, se eles não tivessem trocado número de telefone.
Logo, o primeiro encontro foi marcado, o parque da cidade era o lugar escolhido por decisão unânime.
No carrinho de algodão doce a garota resolveu perguntar:
- Qual o seu nome?
- Gael, e o seu é Rita, não é? - Respondeu ele.
- Como você sabe? - Indagou, inconformada.
- É que estou lendo seu colar. - Disse o jovem rindo.
E seguiram então, Gael, Rita e seu algodão doce. A sobremesa foi escolhida apenas porque aquela doçura de alimento lembrava as nuvens, e Rita era apaixonada pelo céu. O estágio quase perfeito entre os dois foi interrompido por uma questão feita por Gael:
- Hey, porque você está andando com um estranho?
- Sinto que te conheço há muito tempo, eu acredito em outras vidas, sabia? - Ela respondeu.
- Fico feliz em saber disso. - Ele completou, confortavelmente.
- E tem mais uma coisa, adoro aproveitar o momento e você tem criado muitos bons momentos ao meu lado. - Rita acrescentou.
- Aé? Pois então agora teremos o melhor de todos. - Gael finalizou.
Rita foi agarrada e levada no colo até o brinquedo mais bonito do parque; ele a fez fechar os olhos, enquanto estivesse no alto, pediu para que pensasse em coisas boas e ela era capaz de sentir um enorme frio na barriga. Naquele instante Rita não ficou mais nervosa do que no momento em que seus olhos tocaram os de Gael, após ele descobrir seu rosto, sentiu o próprio corpo balançar e uma vontade imensa de nunca mais fechar os olhos, ela reparou que a pupila dele brilhava, parecendo que tinha luz da lua, e claro, Rita era completamente apaixonada pelo céu.
Nesse tempo ela preferiu segurar firme em suas mãos, pois precisava se sentir segura, apertou forte e planejou não soltar mais.
A paisagem que os cercava era digna de ser lembrada para sempre; pontinhos coloridos e vozes de gritos felizes, ainda estão dentro de alguma memória. Rita se sentiu bem em poder acha-lo, diferente de todos os outros que já conheceu, e plena em saber que também conseguiu ser especial para Gael. Assustada com o que estava sentindo, até tentou fugir como as gaivotas fogem pelo céu no pôr do sol, porque você sabe, ela é apaixonada pelo céu.
Mas não conseguiu ir, e em pouco tempo desistiu dessa ideia, logo quando foi assaltada, quando ele lhe roubou um beijo, ela se rendeu entregando tudo o que podia, sobre um sofá, duas taças de vinho e pouca claridade, estendeu sutilmente seus dedos em suas costas, e fez o queixo de Gael morar em sua nuca.
Era só para Rita e Gael ter apenas uma hora na noite, mas eles se permitiram compartilhar xícaras de café todos os dias. Em questão de tempo, e a partir de um juramento momentâneo, repetiram um para o outro a frase, "Sim, eu aceito" e como todas as histórias, o sim foi o começo deles.
Durante alguns dias tiveram o prazer de acordar com o barulho da vizinha ao lado, que adorava faxinar seu apartamento pela manhã, e juntos imaginavam que logo estariam incomodando os novos vizinhos, martelando quadros na parede da casa nova, como haviam planejado.
Atualmente, Rita se lembra de como chegou até aqui, a mente só consegue pensar na hora do almoço surpresa que ganhou, flores cheirosas e comida caseira estavam no cardápio. Tudo finalizou com a frase que Gael disse: ‘’Até o jantar, meu amor’’.
O esperando até o anoitecer, um sorriso preocupado em sua alma a entristeceu, quando conseguia sentir cheiros pelo quarto, uma escova de dente junto a dela, e a boina preta pendurada no espelho. Enquanto de modo efêmero, com saudades, buscava a presença do amado. Rita estava na janela, tomando um chá quente, vestindo um casaco sem cor, em seu lar, Gael estava na direção de seus olhos, em forma de corpo luminoso, com capacidade de desfocar tudo ao seu redor. Rita via-o claramente em formato de estrela, naquela imensidão ela não poderia negar que doía tê-lo como sina, mas sabia que constelações constroem sempre lindo destinos, e tudo bem vê-lo apenas no alto em plena culminância, afinal, Rita sempre foi apaixonada pelo céu.





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Rafa Peres, cronista, estudante de jornalismo, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

2 comentários:

  1. Ai Rafa!
    Tão enternecedor!!
    Amo o céu também e vai que cai um Gael no meu quintal...kkkk
    Parabéns pela criatividade.
    “A sabedoria consiste em compreender que o tempo dedicado ao trabalho nunca é perdido.” (Ralph Waldo Emerson)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JUNHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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