terça-feira, 27 de junho de 2017

Clube dos herdeiros #1 [Resenha]


"Hoje deve ser seu dia de sorte. Sim, é com você que estou falando! Ao abrir esse livro, você ganhará um passe livre, uma tão cobiçada credencial, um passaporte com visto para um mundo que mal se vê pela fechadura. Você poderá conhecer cada um dos membros da nova aristocracia do Rio de Janeiro e saber o que realmente se passa na vida, na cabeça e no coração deles (e eu aposto como você jurava que isso nem existia!). Só me sinto na obrigação de alertar você a respeito do principal perigo, que ameaça aqueles que se julgam sortudos por cruzar essa linha: você vai descobrir que as coisas podem não ser como você imaginava e ter vontade de correr de volta para o seu mundo seguro, que antes parecia tão medíocre. Mas não precisa correr tanto. No meio do caminho sei que você vai dar meia-volta e perceber que não vai a lugar algum. O Clube dos Herdeiros pode não ser nada parecido com um conto de fadas... mas não há como não se apaixonar perdidamente por ele! Pense bem antes de aceitar o convite: existem festas que duram a vida inteira."

Uma viagem pelo mundo do glamour e da ostentação, esse livro transporta o leitor para dentro da alta sociedade carioca, mas ao mesmo tempo, apresenta personagens humanos, bem próximos daquilo que imaginamos ser as pessoas mais humildes, e nas as mais abastadas. De cara conhecemos Manuela, a típica patricinha que só pensa em festas e curtição. Ela adora a praia e bate cartão por lá diariamente. Sua melhor amiga desde a infância é Helena, também de família rica e que, a princípio, parece ser apenas uma sombra de Manuela, um apoio para as aventuras daquela, porém, aos poucos vamos percebendo que Helena é muito mais interessante que isso.

As meninas gostam de ir a baladas chiques e aos shows mais caros e reservados, e é numa dessas ocasiões que Manu vê pela primeira vez o garoto que vai mudar seus conceitos sobre muitas coisas. Apesar da troca de olhares, eles não têm muito tempo para conversar e nem sabem o nome um do outro, mas o destino trata de fazer o caminho deles se cruzar novamente e eles começam a namorar sério. A primeira barreira entre Manuela e Pedro é a classe social: ele é tijucano, o que para um carioca do Leblon é o outro lado do mundo. Mas isso eles vão ultrapassando aos poucos e mantendo o namoro em segurança. Mais tarde, uma questão mais profunda, que envolve caráter acaba mostrando para Pedro que Manuela não era exatamente como ele imaginava.

Do outro lado, Helena namora Guilherme há alguns anos e, apesar de gostar muito dele, sabe que falta alguma coisa para que aquele amor seja como um conto de fadas. Na verdade, percebemos ao longo da narrativa que Helena não é tão fútil quanto demonstra: ela trabalha e é bastante responsável enquanto seu namorado nem terminou a faculdade e só quer saber de curtição. A única coisa que Guilherme parece levar a sério é seu amor por Helena, até que, a certa altura, descobrimos que nem isso era tão importante para ele.

Em meio a fofocas, armações e até supressão de fatos importantes, tanto as amizades quanto os namoros vão ruindo, e o leitor descobre que nada sobrevive a uma mentira (ou duas). Apesar de lutar contra seus sentimentos, as protagonistas aprendem que tudo pode mudar, mesmo quando acreditamos que nosso destino já está traçado. A nossa felicidade depende de nós mesmos, e das atitudes que tomamos para alcançar essa felicidade.

O que inicialmente parecia ser uma história de meninas que não têm nada na cabeça nem no coração, se mostrou ser uma lição importe para os leitores. Numa relação, seja ela qual for, a sinceridade é importante, e não podemos colocar nossos interesses sempre à frente dos outros, pois todos têm sentimentos e merecem receber o melhor de nós. O livro fala sobre amor, amizade, sinceridade, altruísmo, decepção, descoberta e crescimento. Há momentos fofos e românticos entre Pedro e Manuela, enquanto outros, como algumas atitudes de Guilherme, revoltam o leitor. Mas no final tudo se ajeita, as coisas acabam se resolvendo, mesmo que seja as custas de muito sofrimento.

Aliás, o final é muito emocionante, e eu adoro esses encerramentos que deixam algo para a imaginação do leitor. Depois de acompanhar todo o crescimento das protagonistas e o caminho que as levou a se tornarem quem realmente são, fica a expectativa de saber se, no futuro, elas vão conseguir ser felizes com aquilo que conquistaram.

O livro tem uma linguagem fácil, a escrita é rápida e fluida e o enredo é muito envolvente. É impossível não se imaginar naquele universo, convivendo com os personagens, tanto que, quando terminei de ler, senti falta das meninas e queria saber o que eles estariam fazendo naquele momento. Quando um autor consegue fazer com que o leitor se sinta tão próximo de seus personagens assim, acredito que o objetivo tenha sido alcançado. Leitura super indicada para todos, é um livro leve e divertido, cheio de referências à cultura pop, com personagens muito bem construídos e arcos narrativos bem definidos, com um bom gancho no final. Os herdeiros vão conquistar você também.


Clube dos herdeiros #1 - como nossos pais
Fabiana Madruga
editora Draco
144 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 5.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

domingo, 4 de junho de 2017

Fala, Rafa! - Amor pelo céu



Eles falavam sobre eternidade na noite em que se conheceram. Ela vestia um casaco de veludo vermelho porque estava frio, e ele uma boina preta. Ela era apenas uma garota na cafeteria, até o minuto que percebeu ter esquecido a carteira em casa, ficando sem jeito em ter uma ideia de como pagar a dívida da bebida.
- Cobra o café dela na minha conta. Escutou a moça.
- Obrigada. Respondeu.
E tudo poderia ter acabado ali, se eles não tivessem trocado número de telefone.
Logo, o primeiro encontro foi marcado, o parque da cidade era o lugar escolhido por decisão unânime.
No carrinho de algodão doce a garota resolveu perguntar:
- Qual o seu nome?
- Gael, e o seu é Rita, não é? - Respondeu ele.
- Como você sabe? - Indagou, inconformada.
- É que estou lendo seu colar. - Disse o jovem rindo.
E seguiram então, Gael, Rita e seu algodão doce. A sobremesa foi escolhida apenas porque aquela doçura de alimento lembrava as nuvens, e Rita era apaixonada pelo céu. O estágio quase perfeito entre os dois foi interrompido por uma questão feita por Gael:
- Hey, porque você está andando com um estranho?
- Sinto que te conheço há muito tempo, eu acredito em outras vidas, sabia? - Ela respondeu.
- Fico feliz em saber disso. - Ele completou, confortavelmente.
- E tem mais uma coisa, adoro aproveitar o momento e você tem criado muitos bons momentos ao meu lado. - Rita acrescentou.
- Aé? Pois então agora teremos o melhor de todos. - Gael finalizou.
Rita foi agarrada e levada no colo até o brinquedo mais bonito do parque; ele a fez fechar os olhos, enquanto estivesse no alto, pediu para que pensasse em coisas boas e ela era capaz de sentir um enorme frio na barriga. Naquele instante Rita não ficou mais nervosa do que no momento em que seus olhos tocaram os de Gael, após ele descobrir seu rosto, sentiu o próprio corpo balançar e uma vontade imensa de nunca mais fechar os olhos, ela reparou que a pupila dele brilhava, parecendo que tinha luz da lua, e claro, Rita era completamente apaixonada pelo céu.
Nesse tempo ela preferiu segurar firme em suas mãos, pois precisava se sentir segura, apertou forte e planejou não soltar mais.
A paisagem que os cercava era digna de ser lembrada para sempre; pontinhos coloridos e vozes de gritos felizes, ainda estão dentro de alguma memória. Rita se sentiu bem em poder acha-lo, diferente de todos os outros que já conheceu, e plena em saber que também conseguiu ser especial para Gael. Assustada com o que estava sentindo, até tentou fugir como as gaivotas fogem pelo céu no pôr do sol, porque você sabe, ela é apaixonada pelo céu.
Mas não conseguiu ir, e em pouco tempo desistiu dessa ideia, logo quando foi assaltada, quando ele lhe roubou um beijo, ela se rendeu entregando tudo o que podia, sobre um sofá, duas taças de vinho e pouca claridade, estendeu sutilmente seus dedos em suas costas, e fez o queixo de Gael morar em sua nuca.
Era só para Rita e Gael ter apenas uma hora na noite, mas eles se permitiram compartilhar xícaras de café todos os dias. Em questão de tempo, e a partir de um juramento momentâneo, repetiram um para o outro a frase, "Sim, eu aceito" e como todas as histórias, o sim foi o começo deles.
Durante alguns dias tiveram o prazer de acordar com o barulho da vizinha ao lado, que adorava faxinar seu apartamento pela manhã, e juntos imaginavam que logo estariam incomodando os novos vizinhos, martelando quadros na parede da casa nova, como haviam planejado.
Atualmente, Rita se lembra de como chegou até aqui, a mente só consegue pensar na hora do almoço surpresa que ganhou, flores cheirosas e comida caseira estavam no cardápio. Tudo finalizou com a frase que Gael disse: ‘’Até o jantar, meu amor’’.
O esperando até o anoitecer, um sorriso preocupado em sua alma a entristeceu, quando conseguia sentir cheiros pelo quarto, uma escova de dente junto a dela, e a boina preta pendurada no espelho. Enquanto de modo efêmero, com saudades, buscava a presença do amado. Rita estava na janela, tomando um chá quente, vestindo um casaco sem cor, em seu lar, Gael estava na direção de seus olhos, em forma de corpo luminoso, com capacidade de desfocar tudo ao seu redor. Rita via-o claramente em formato de estrela, naquela imensidão ela não poderia negar que doía tê-lo como sina, mas sabia que constelações constroem sempre lindo destinos, e tudo bem vê-lo apenas no alto em plena culminância, afinal, Rita sempre foi apaixonada pelo céu.





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Rafa Peres, cronista, estudante de jornalismo, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

domingo, 28 de maio de 2017

Fala, Rafa! - Os 90



Ao longo da minha vida de tédio, despertei uma grande vontade: chegar aos 90.
Saindo do elevador em meu prédio, fui surpreendida com a porta da vizinha aberta, e ela estava gritando:
 - Socorro!
Corri apressada para dentro do apartamento dela e perguntei:
- Dona Marlene! O que houve?
- Peru. - Foi o que ela me respondeu.
- Senhora? O que está acontecendo?
- Que foi menina? Que falta de educação entrar assim na casa dos outros.
- Pera lá. Só estou preocupada com alguém que grita "socorro" e "Peru". Pode me explicar o que está acontecendo?
- Não está vendo? - Disse ela com um superaparelho tecnológico na mão. - Estou jogando caça-palavras online, e tenho que achar a palavra de emergência que começa com "S" que é socorro, e saber o nome de algum país que começa com "P" daí veio o Peru.
- Ah, desculpa o incômodo. Achei que estivesse precisando de ajuda.
- Oitenta e Nove! E tá, tá desculpada. - Falou ela apressadamente.
- Ih, melhor eu ir, já que está tudo bem. - Saí andando para fora da casa ao ser surpreendida novamente.
 - Socorro, Peru, Noventa! Ganhei!
Não resisti, dei meia volta e peguei, com fúria total, aquele tablet da mão dela. Em aberto estava seu jogo e uma mensagem escrita em destaque: "Uau! Você atingiu 90 pontos!"
- Ah, Parabéns! – E foi repetindo essa palavra que devolvi seu aparelho e com um semblante de alívio no rosto por poder ir em paz para minha casa, mas em mais uma tentativa de ir embora ela gritou:
- Aniversário! - E eu continuei andando e ignorando-a, porque certamente era só mais um item que faltava naquela nova fase do caça palavras.
Mais tarde no sofá de casa, escutei um monte de vozes misturadas cantando aquela famosa canção, que quase todo mundo sabe, de "Parabéns pra você" e, no mesmo instante, percebi que era o aniversário da minha companheira de paredes.
Depois do barulho, fui surpreendida com alguém batendo em minha porta. Abri e era ela: a senhorinha que joga na internet com um pedaço de bolo na mão. Abracei-a e ouvi sobre sua passagem por 80 primaveras, respondi:
- Desejo que sua nova fase no jogo da vida seja tão próspera quanto a sua brincadeira virtual.
Desde então fico imaginando que antes eu só pensava em aprender tricô na velhice, mas agora me pergunto: será que também chegarei aos 80 mexendo em um tablet? Suponho que não serei a vovó que dará ponto cruz, porque estou prestes a também ser uma ''vovó.com''. Bom, que pelo menos eu consiga 90 pontos em algum desafio. E olha, depois dizem que a geração de jovens é que está avançada.




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Rafa Peres, crônista e futura jornalista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sei Que Eu Sei News #27 - Trailer Game of Thrones













The great war is here. É com essa frase emblemática que termina o primeiro trailer da 7ª temporada da série Game of Thrones, da HBO, baseada na série de livros de George R. R. Martin, As crônicas de gelo e fogo.



A temporada começa dia 16 de junho e promete mostrar, finalmente, a grande batalha, pela conquista do trono de ferro. Cersei, Sansa, Jon Snow e Daenerys estão na disputa e, pelo trailer, é possível ver onde cada um deles estará no começo da temporada.

A expectativa pela continuação dessa história é muito grande, e os fãs especulam sobre se o trailer revela muitos spoilers da trama ou não. No site Omelete há um post destrinchando alguns detalhes do trailer, que não podem passar despercebidos por quem está aguardando o retorno da série. Assistam esse vídeo do Omelete clicando aqui. 

Muitos comentários rodaram pela internet hoje, mas assistir o trailer e tirar suas próprias conclusões não tem preço. Então vamos a ele:






O que acharam? Eu espero que o bicho pegue nessa temporada e a guerra acabe com muitos inimigos que eu quero que morram desde o começo da série. Quais são as apostas de vocês? Quem vai ganhar o trono de ferro?


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Nada se compara a você

onde comprar: Editora Arwen

"Em Bonequinha de Luxo, Holly Golightly teve a sorte de encontrar Paul Varjak. Mesmo sendo uma garota tímida, Kathy Selden conseguiu conquistar o coração do bonitão Don Lockwood em Dançando na chuva. Infelizmente, Tessa não tem a mesma sorte que suas heroínas cinematográficas: aos 24 anos de idade ela coleciona decepções amorosas. Don é charmoso, bem-sucedido e cabeça dura, mas, diferente de Tessa, ele anda se escondendo do cupido. Um dia ele chega à terrível conclusão que relacionamentos casuais não são mais satisfatórios e, pela primeira vez, deseja sentir algo real. Quando os dois se conhecem a química e a atração é inegável. Don se impressiona com os dóceis porém intensos olhos azuis de Tessa, e ela sente a necessidade de se apoderar dos lábios indomáveis de Don. Então, eles resolvem se entregar ao desejo e mal sabem que estão prestes a mudar a vida um do outro para sempre, nessa história narrada sob o ponto de vista do casal. Esse conto real sobre relacionamento nos dias atuais fará o leitor se identificar com os pensamentos dos personagens, afinal, existe um pouco de Don e Tessa dentro de cada um de nós."

Todos os leitores que acompanham minhas resenhas aqui no blog sabem que eu adoro romances, e que tenho até muita tolerância com alguns deles, que não parecem ser muito interessantes no início, mas que acabam surpreendendo no final. Bem, tive que ter muita paciência com esse aqui, pois, ao longo de suas mais de quinhentas páginas, não apresenta nem romance nem ação.

Nada se compara a você é um título que vem carregado de promessas de apresentar uma história muito romântica, acompanhado pelo subtítulo (As vezes, quando menos se espera, o amor acontece) e a sinopse que avisa se tratar de uma história cheia de desejo e amor. Certo, não sei se criei alguma expectativa exagerada, mas não vi esse romance todo no livro. Talvez eu esteja exigindo da história algo que ela não é, mas sinceramente, esperava um romance mais profundo, mais romântico mesmo.

Tessa se deu mal  em todos os relacionamentos que teve. Inclusive, no último namoro, narrado no livro, ela foi trocada por uma promoção que o namorado teria na empresa em que trabalha. Era de se esperar que ela sofresse (pelo menos um pouco) e que se afastasse por algum tempo dos homens. Se não se afastasse, pelo menos fosse mais seletiva, ou mais exigente com quem se aproximasse dela. Mas na primeira vez que ela sai com as amigas para uma balada, ela já se encanta por Don e permite que ela a leve para casa. Tudo bem, ela manteve uma certa distância e eles não fizeram sexo por um bom tempo, mas a partir do momento em que se viram na balada ela já gostou dele e começaram a se relacionar.

Sei que existe amor à primeira vista, principalmente em romances, mas a premissa da personagem era ter sofrido muito com finais de namoros traumáticos e estar escaldada com relacionamentos complicados. Espera-se que, com essas características, a mocinha pelo menos dificulte a aproximação de outro homem.

Por outro lado, Don é um cafajeste, daqueles que Tessa só quer distância. Mas, magicamente, assim que ele olha para ela, sente que deve endireitar. Ele para de ficar com mulheres por apenas uma noite e meio que se guarda para Tessa, mesmo sem saber se a relação vai dar em alguma coisa. Concordo que isso é possível, o cara se apaixonou e só quer aquela mulher, mas a construção dos personagem não fortalece essa mudança.

Então o casal está namorando, e o romantismo não é tão intenso quanto eu esperava. Eles descobrem que se amam, conhecem as famílias um do outro, planejam seu futuro, passam algum tempo juntos, mas não conseguem satisfazer a minha sede de romance. Acho que a descrição da sinopse se concretiza ao longo das páginas, ou seja, "a história é um conto real sobre relacionamento nos dias de hoje". E isso pode ser um ponto positivo. A narrativa opta por mostrar o dia a dia na evolução do namoro, desde aquela primeira fagulha de paixão até a rotina de se amar na saúde e na doença, e não foca no romantismo de um conto de fadas.

Como tudo depende de quem está lendo, esse não é o meu tipo de romance preferido, por isso, demorei tanto para ler o livro. Gosto daqueles casos de amor arrebatadores, que doem quando a gente lê. E esse livro não tem essa característica. Apesar do final feliz, o caminho que leva até ele é muito longo e cheio de obstáculos, que dispersam a atenção do romance principal, mas que mostram muito do que é a vida real de um casal comum.

Apesar de não possui o brilho e o fogo de um romance arrebatador, esse livro tem suas qualidades, e mostra a cumplicidade entre o casal apaixonado, diante de diversas situações que põem à prova seu amor. Acredito que a principal característica dele é mostrar exatamente esse lado sem glamour do amor, os obstáculos e as dificuldades por que passam a maioria das pessoas em busca do seu felizes para sempre.

Nada se compara a você
Alex Well
512 páginas
editora Arwen
nota no Skoob: 3.9
nota do blog: 3.5


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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Lançamentos Arwen abril e maio

Olá leitores! Chegou a hora de conhecer os últimos lançamentos da nossa parceira Arwen:


26 de Janeiro – Kayo Pagotto

É possível deixar o passado para trás?
Essa talvez seja a maior incógnita para Luiz, um rapaz assombrado por seus demônios, atormentado por uma ausência que está destruindo-o aos poucos. Em meio à melancolia, Luiz terá que fazer uma escolha: continuar vivendo no passado ou deixar-se levar por Lorena, a mulher que pode guiá-lo a uma sempiterna paixão, revelando-lhe que talvez o verdadeiro amor ainda possa existir. 










Das Überheil – Pedro Irineu Neto
Desiludido e sem perspectivas, o detetive Maia retorna de Buenos Aires para o Rio de Janeiro, onde encontra um velho companheiro de faculdade, que o ensina a se tornar detetive particular, revelando adultérios em troca de dinheiro. Ao investigar o desaparecimento de uma famosa atriz estrangeira, o detetive termina se envolvendo em uma trama articulada, durante a Segunda Guerra Mundial, para mudar o jogo de forças políticas do Brasil, através de alianças poderosas e até mesmo impensáveis que, aproveitando-se das ideias de superioridade racial para mascarar suas reais intenções, arquitetam um plano denominado de Das Überheil. Sendo involuntariamente jogado contra essa aliança, em razão de um suposto sequestro dessa atriz estrangeira, o detetive Maia inicia uma jornada que, a cada passo, vai lhe demonstrando, mesmo com dúvidas e frustrações, que o amor e a perspectiva de uma família representam forças capazes o suficiente para enfrentar o poderio de qualquer aliança que pretenda mudar os rumos da História Brasileira ao custo de muitas vidas.


Irmandade de Copra – Pelos Sussurros de Copra – Caroline Defanti
O que todos temiam está a um passo de acontecer.
O embate entre a Irmandade e os Copranos é iminente. Revanche é o Líder, mas Chess não vai desistir tão fácil e, como sempre, tem um plano em andamento. Dessa vez, ele vai contar com uma grande aliada.A Irmandade de Copra avança para a batalha. Aeris se prepara com os Copranos, enquanto escuta os sussurros de Copra.
A batalha final está se aproximando. Quem sairá vitorioso?









O Pecado de Madalenna – Jhon Cesar Moraes
O que te assusta mais do que a morte? O imprevisível? O desconhecido? Ser esquecido? Ou as pedras no meio do caminho? Madalenna é uma garota que precisa enfrentar todos os seus dilemas, fazer escolhas, acertar em suas decisões, mas quem disse que é fácil? Ela não tem tantas pedras em seu caminho, mas as pessoas à sua volta carregam muitas em suas mãos para a apedrejar. Qual o motivo dessa "PEDRA" ser tão amaldiçoada? Qual será o pecado de Madalenna?










Moinho de InVento – Anna Julia Dannala
Moinho de InVento é um livro de poesias otimistas e reflexões singelas sobre a vida. Seus versos sobre sonhos, medos, paixões, saudades, alegrias e esperanças foram inspirados pelo vento; a autora coloca a construção do pensamento em três fases — a lufada, a ventania e a brisa —, do repentino e passageiro ao forte e contínuo, até chegar ao ponto onde tudo se acalma.
Escrito e ilustrado à mão pela própria autora, sua linguagem é leve, branda e repleta de metáforas que sustentam a ideia de que devemos nos reinventar a cada momento. Mesmo que haja ventania, tudo tende à calmaria, tudo tende à poesia, tudo tende à brisa.







Olhos do Abismo – Antonio dos Anjos
Aos quarenta anos, Melissa Vargas não imaginava que pudesse se apaixonar novamente. Conheceu o sofrimento ainda criança, e quando chegou à vida adulta, fugiu da casa da tia, onde morava desde que fora abandonada pela mãe. Conheceu o lado triste da exploração e humilhação, depois, o mundo da prostituição. O casamento com um poderoso coronel faz nascer uma oportunidade para recomeçar sua vida, mas seu mundo desmorona quando descobre que o marido tem uma amante e depois, quando ele é encontrado morto após cair do penhasco nas proximidades de uma enigmática igreja de pedra. As coisas pioram quando Melissa é acusada do assassinato do próprio esposo. Ela busca suportar todo o sofrimento contando com o único amigo que tem: o sogro, que sofre de Mal de Alzheimer. A realidade muda com a chegada do misterioso Galeano Silveira. Balançando o coração de Melissa ele vai penetrar cada vez mais numa rede de intrigas, amor, traição e guerra de interesses entre fazendeiros e políticos.
Quem matou o coronel Manoel Vargas? O que verdadeiramente se esconde por detrás das luzes fantásticas da lendária igreja de pedra?


Gostaram? Qual livro mais interessou? Todos eles podem ser encontrados no site da Arwen, clicando aqui. Eu gostei de Moinho de InVento e 26 de janeiro, já vou solicitar os meus ;)


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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Clube da luta [Resenha]

onde comprar: Amazon//Saraiva//Livraria da Folha 

"Considerado um clássico moderno desde a sua publicação em 1996, esse livro consagrou o autor como um dos mais importantes e criativos da atualidade, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O clube de luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi adaptado para os cinemas em 1999, e consegue transmitir para as telas toda a sua atmosfera, o mundo caótico do personagem e o humor negro do autor, em uma trama recebida com muitos elogios de crítica e público."

Esse livro ficou bastante conhecido depois que foi adaptado para os cinemas. O filme é protagonizado por dois dos meus atores favoritos, mas eu não vou citá-los aqui para que as pessoas que ainda não tiverem lido o livro possam idealizar a aparência dos personagens, sem a influência da imagem do filme.

Nosso protagonista é um cara solitário, cansado, escravo do trabalho e da sociedade em que vive. Ele está descontente com a vida que vem levando, mas não sabe como mudar. Aliás, acredito que ele nem tenha tentado mudar, conscientemente. Então, de repente, ele conhece um cara que vira sua rotina de cabeça para baixo. Tayler Durden é lindo, confiante, inteligente e audacioso, tudo o que o narrador da história não é. Eles se encontram por acaso numa praia, e a partir dali, Tyler passa a fazer parte da vida do protagonista.

Uma característica interessante do personagem principal é que ele participa de vários grupo de apoio, mesmo não tendo nenhuma doença grave. Ele acha que estar ao lado de pessoas à beira da morte, ou que já tenham chegado muito perto dela, é libertador. E isso também o ajuda a dormir, pois ele tem uma insônia terrível que o deixa várias noites em claro. É nesse ponto que começam as comparações com Tyler: enquanto ele só trabalha a noite, o narrador só consegue trabalhar durante o dia.

Ele é muito metódico, e isso pode ser percebido quando ele descreve o conteúdo de sua mala de viagem - ele viaja bastante a trabalho. Tyler é o oposto, vive numa bagunça organizada e se vira com qualquer coisa em qualquer lugar.

Numa noite em que o narrador perdeu sua casa num incêndio, ele se encontra com Tyler num bar e pede para morar com ele. Tyler permite, mas em troca pede um favor: que o protagonista lhe dê um soco na cara, o mais forte que conseguir. Nasce, assim, o clube da luta.

Enquanto o narrador luta com Tyler ou com os outros participantes que vão se juntando ao clube, ele se sente livre de tudo aquilo que o incomoda, que o impede de viver plenamente. Mesmo estando sempre com o rosto machucado e cheio de hematomas, ele se sente completo.

Tyler cria algumas regras para o clube da luta, que vão sendo seguidas e repetidas por cada um dos rapazes que entram para o clube. Além disso, ele também vai, aos poucos, recrutando milhares de pessoas para a fabricação de sabão, que na verdade é um explosivo, e arquiteta o plano de instituir o caos no mundo chamado Projeto Desordem e Destruição. O narrador fica observando aqueles homens que são seguidores dos ideais de Tyler, sem entender como eles podem ter sido tão influenciados.

No meio de tudo isso ainda tem Marla, a mulher por quem o protagonista se apaixona logo no começo do livro, num dos grupos de apoio que ele frequenta. O curioso é que Marla também vai a vários desses grupos, mas não é doente. Eles passam a se relacionar, mas Tyler meio que rouba Marla do amigo, e ele fica ainda mais confuso, acreditando estar num triângulo amoroso.

A verdade por trás de todo o mistério de Tyler está presente em diversos momentos do livro, discreta, escondida pela habilidade do autor em contar segredos sem revelá-los totalmente. É essa capacidade de Chuck que torna a história tão interessante; claro que a trama é incrível, com muitos pontos crítico e algum momentos em que, se o leitor não estiver atento, pode se perder na narrativa, pois há uma mistura entre passado e presente.

O final é muito bem construído, e o óbvio fica ainda mais óbvio, e, se o leitor ainda não tinha se atentado às dicas no decorrer da leitura, ele agora recebe a verdade como um verdadeiro soco no cara. Se você já viu o filme, tudo fica mais explícito, mas se não, é totalmente possível perceber de onde vem Tyler Durden e toda a sua confiança. É isso que deixa a história tão ímpar.

Recomendo a leitura para quem gosta de narrativas diretas, que mostram a realidade como ela é, e que também usa inúmeras metáforas para fazer isso. Também podem gostar de leitura pessoas que procuram algo novo e diferente, ou que querem sair da sua rotina de leitura.


Clube da luta
Chuck Palahniuk
272 páginas
editora Leya
nota no Skoob: 4.5
nota do blog: 4.5


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um pouquinho de...

"Ligo para Tayler.
O telefone toca na casa alugada de Tayler na Paper street.
Por favor, Tyler, me livre desta roubada.
E o telefone continua chamando.
O porteiro se inclina sobre o meu ombro e diz:
- Muitos jovens não sabem o que querem de verdade.
Preciso que me resgate, Tyler, por favor.
E o telefone chama.
- Os jovens pensam que querem o mundo inteiro.
Me livre das mobílias suecas.
Me livre da arte rebuscada.
E o telefone chama outra vez e Tyler atende.
- Se não sabe o que quer - o porteiro continua -, acaba tendo um monte de coisas que não quer.
Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.
Me salve, Tyler, de ser completo e perfeito.
Tyler e eu combinamos de nos encontrar em um bar.
O porteiro me pede um telefone em que a polícia poder á me encontrar. Ainda estava chovendo. Meu Audi ainda estava no estacionamento, mas o tocheiro alógeno Dakapo tinha atravessado o vidro da frente.
Tyler e eu nos encontramos, tomamos várias cervejas e ele diz que sim, eu podia me mudar para a casa dele, mas teria que lhe fazer um favor. 
No dia seguinte a minha mala chegaria com o mínimo, seis camisas e seis pares de cuecas.
Lá. bêbado em um bar onde não havia ninguém nos olhando ou ligando para nós, perguntei a Tyler o que queria que eu fizesse.
Tyler respondeu:
- Quero que me dê um soco o mais forte que conseguir."

(capítulo 5, páginas 52 e 53)



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sábado, 6 de maio de 2017

Top Comentarista maio + resultado abril










Olá amigos leitores! Ainda tem alguém ai? Sei que ando meio sumida do blog, e que preciso postar mais resenhas, mas por favor, me perdoem. Estou um tanto quanto atarefada, e pretendo voltar a falar com vocês mais frequentemente, ok?

Então vamos falar de coisa boa: presentes! Como vocês sabem, quem mais comenta por aqui concorre ao prêmio do mês, e em abril os leitores tiveram uma vida bem fácil, afinal, foram pouquíssimos posts para comentar, não é mesmo? Sorte de quem foi persistente e continuou acompanhando o blog.

Foram 9 leitoras lindas de viver que comentaram em todos os posts de abril, e cada uma recebeu um número, conforme mostra a figura abaixo. Os números foram inseridos no site random.org, que fez o sorteio de forma randômica, e o resultado foi:



Número 10, Mariana Ogawa. Parabéns, Mariana! Depois de conferir que você cumpriu todas as regras, estou te mandando um e-mail para que você me passe o endereço de envio. Espero que goste do livro e continue nos acompanhando por aqui ;)




E no mês de maio o prêmio para o Top Comentarista será um pouquinho diferente: um pôster da série Perdida, da Carina Rissi, e um kit com 10 marcadores bacanas. Já adianto a vocês que também não teremos tantos posts quanto eu gostaria, já que estou finalizando meu livro e o tempo vai continuar escasso. Então, aproveitem e comentem em tudo que aparecer por aqui, que o prêmio é lindão.

Ah! não se esqueçam de seguir as regras:


Comentar nesta postagem com nome de seguidor, e-mail válido e perfil no Facebook ou Twitter  para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato com o vencedor. 

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- E claro, comentar em todas as postagens do mês.

Lembrando que:
  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de participantes, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org ou no sorteador.com;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do e-mail, e o blog não se responsabiliza por atrasos ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.


Conto com a visita de vocês durante mais esse mês de muito estudo e trabalho para mim, e várias resenhas legais para vocês, seus lindos!




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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um pouquinho de...

"Júlio não sabe, só sabe que anda, anda como se as pernas não lhe pertencessem, e quando ele se dá conta é como se elas não pertencessem mesmo a seu corpo, porque não as sente, seus sentidos estão tomados de assalto pelo ambiente. Os ouvidos, pelos vocais de Robert Smith, porque agora você se lembra que o que sai das carrapetas do DJ não é fado, bolero ou tango, mas o bom e velho britpop dos eighties, para ser específico 'Charlotte Sometimes', a canção do The Cure que sempre invadiu seus ouvidos com uma sensação arrebatadora, mas que agora é perturbadora, incômoda, labiríntica, como se tirasse os seus pés do chão, não de arrebatamento extático, mas como se fosse um ataque de labirintite, um terremoto dos sentidos, um impacto profundo no ouvido interno, um soco na cara da realidade que quase faz com que seus olhos saltem de tão arregalados para tentar ver além do véu de Maya que embaça tudo à sua frente, e enquanto isso ele anda por entre as pessoas no ambiente apertado e sufocante."

(páginas 2 e 3 - este conto já foi resenhado no blog, leia clicando aqui)


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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Charlotte sometimes [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto do autor veterano de dicção científica Fábio Fernandes, originalmente publicado em Interface com o Vampiro. Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória - ou será a memória de outra pessoa?"

Esse foi o conto mais envolvente que li essa semana. Já começa como se o leitor estivesse dentro de um sonho, dando exatamente aquela sensação de entrar numa cena, do nada, e de repente se dar conta de que está lá. O protagonista acha que está numa boate, mas se lembra de que aquele lugar fechou há muito tempo, então ele fica em dúvida sobre se o que está vivendo é real ou ilusão. Ele também reencontra uma mulher que, depois descobrimos, não poderia estar ali. E o ritmo da narrativa também é frenético e confuso, não permitindo que o leitor faça  a distinção entre realidade ou sonho.

Gostei muito da escrita do autor e da velocidade que ele deu à narrativa. Tudo é muito rápido, caótico, desconexo. As coisas que acontecem são estranhas, mas também podem ser muito reais, e isso é que faz do conto uma ótima leitura. O autor utilizou muito bem o ambiente da boate para dar aquele clima meio enevoado e sombrio que o sonho transmitia, e o final é exatamente como sair dele de repente. Dá até aquela vontade de fechar os olhos e tentar voltar para a mesma parte que estava antes de acordar.


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Despertar de um sonho [Resenha]

onde comprar: baixe gratuitamente no site da Editora Draco

"Conto de Melissa Sá, autora da distopia Metrópole. Ilio é uma pessoa especial, podendo manipular a realidade com o poder da mente. Mas quando o mesmo sonho intenso lhe invade as noites, despertar para a dura realidade de um mundo morto só é possível pois nele pode estar uma revelação do futuro."

Esse conto é quase um spin-off da série Metrópole, então, quando comecei a ler fiquei um pouco perdida. Foi como cair de paraquedas em algo que já estava em andamento, mas aos poucos a leitura vai envolvendo e a coisa começa a clarear. Os personagens estão vivendo num mundo pós-guerra, embaixo da terra, pelo que demonstra a descrição do lugar, e todos trabalham numa sociedade organizada por habilidades. Por exemplo, a amiga de Ilio, Sara, tem facilidade para cuidar de pessoas, por isso, é aprendiz de curandeira. Mas Ilio parece um tanto divergente, e não emprega seu dom no trabalho: ele é telepata, mas prefere atuar na limpeza. Sua telepatia mostra, sempre no mesmo sonho, uma garota que ele não conhece, e que, de repente aparece no lugar. O problema é que ela parece não conhecê-lo, enquanto ele acredita que ela é especial.

A história é curta, porém, complexa, com Sara meio atrapalhada e Ilio cheio de conflitos internos e externos. Ele tem um rival chamado Hector, que o humilha em certo momento do conto, deixando claro que não o deseja ali, talvez por inveja de seus poderes psíquicos. Isso mostra a habilidade da autora, já quem em poucas páginas conseguiu criar um conflito entre os personagens e lançar no leitor a curiosidade sobre quem é a menina misteriosa dos sonhos de Ilio e se eles vão ser importantes um para o outro. Acredito que isso se deva resolver em Metrópole.


Despertar de um sonho
Melissa de Sá
13 páginas
editora Draco
nota no Skoob: 4.1
nota do blog: 4.3


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

The Schroedinger Show [Resenha]


"Conto de ficção científica de Carlos Orsi, autor de As dez torres de sangue. Quando a avançadíssima indústria cultural do futuro resolve explorar os paradoxos da mecânica quântica, toda a galáxia treme."

O conto, que faz parte dos Contos do Dragão da Editora Draco, retrata uma época futurista, onde a ciência e a física estão muito mais evoluídas que hoje, e a tecnologia é muito avançada. Um astro pop muito famoso toma conhecimento da experiência do Gato de Schrödinger, que basicamente trata de um paradoxo: o gato na caixa pode estar vivo ou morto ao mesmo tempo, só se descobre a verdade quando a caixa é aberta (O Sheldon fala sempre dela em The Big Bang Theory, mas você também pode ler mais sobre o assunto clicando aqui). Então esse super astro que, aparentemente, é um pouco mimado, no sentido de sempre conseguir o que quer, decide por à prova o experimento e anuncia que fará um Schrödinger Show, estando ao vivo em diversos planetas da galáxia ao mesmo tempo, o que causou furor não só entre seus fãs mas também entre a comunidade científica. Chegaram a falar sobre golpe, alegando que o cantor só queria arrecadar mais dinheiro, já que não tem como estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. O final disso tudo deu o que falar.

Gostei muito do conto, desse ar futurista e do uso de gírias como se elas fossem um movimento retrô que estaria na moda. Mas fiquei muito curiosa para conhecer mais desse universo e para saber outros detalhes do pop star convencido. O conto é bem curtinho, e deixa um gosto de quero mais. O autor poderia ter aproveitado a boa ideia e desenvolvido a história, pois a impressão que fica é de que tudo termina muito de repente. Se essa foi a intenção dele, está de parabéns.


The Schroendinger Show
Carlos Orsi
editora Draco
7 páginas (conto)
nota no Skoob: 2.7
nota do blog: 3.0



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